A credibilidade da astrologia
- Enzo Bento, 12.º C3
- 31 de mar. de 2023
- 3 min de leitura

Os registos mais antigos sugerem que a astrologia surgiu no terceiro milénio antes de Cristo, tendo uma imensa importância na formação de culturas. Até aos nossos dias, mesmo com toda informação conhecida, a astrologia continua a cativar imensos apoiantes e seguidores a cada dia que passa. Mas afinal será que esta tem credibilidade? Porque é que cativa tantas pessoas? Pode-se considerar a astrologia uma ciência?
Primeiramente, eu creio que seja importante distinguir ciência e de uma pseudociência. Uma ciência é pautada e baseada no método científico. A astrologia não é. Ao contrário da astronomia, a astrologia não incorpora as teorias científicas e assume que a Terra está no centro do universo. Posto isto, a credibilidade desta pseudociência fica obviamente em causa. Para os mais informados parece óbvio que tudo não passa de mentiras para se poder ganhar a vida aproveitando-se dos mais inocentes. Porém, há realmente pessoas que acreditam nas teses que "defendem" a astronomia, então nada mais justo do que apresentar o que a verdadeira ciência tem a dizer sobre este assunto para não restarem dúvidas. Se alguém já fez o mapa astral e acreditou que este o definiu perfeitamente, não se iludam, foram vítimas do efeito Forer. Em 1948, um psicólogo chamado Bertram R. Forer comprovou que a maioria das pessoas tem tendência em aceitar descrições vagas como exclusivamente aplicáveis a si, sem perceber que aquela descrição pode ser aplicada a um número infindável de pessoas. Para o comprovar, Forer aplicou um teste de personalidade a todos os alunos da sua turma de psicologia, em que os alunos tinham de escrever tudo sobre a sua personalidade. Forer, em seguida, recolheu todos esses testes, ignorou-os e distribuiu para todos os seus alunos o mesmo resultado, cheio de frases imprecisas e evasivas que servem para milhões de pessoas (exatamente como o horóscopo). Posto isto, os alunos tinham de dar uma nota de zero a cinco do quão eficaz tinha sido aquela definição de personalidade. A média foi quatro vírgula vinte e seis ou oitenta e quatro por cento de precisão.

Outro dos fenómenos psicológicos que explicam a astrologia é o “viés de confirmação”. Este trata-se de um fenómeno que se traduz na ideia de que o ser humano costuma dar mais atenção a uma informação quando confirma a sua crença. Por exemplo, se alguém está a ler o mapa astral que diz que é uma pessoa desorganizada, mas na realidade ela é uma pessoa bastante organizada. O cérebro tende então a esquecer aquela informação e um mês depois já nem se vai lembrar que anteriormente o mapa astral tinha dito que era desorganizado. Michel Gauquelin, um psicólogo francês, decidiu fazer o mapa astral de vários leitores da revista “Ici Paris”. Tudo o que os interessados tinham que fazer era enviar o seu nome, endereço, data e local de nascimento pelo correio, e receberiam um horóscopo e o resultado de um teste de personalidade. Mais de 150 pessoas responderam ao "astrólogo", dizendo-se impressionadas pela precisão do dito resultado. No total, noventa e quatro por cento das pessoas declararam-se satisfeitas e noventa por cento disseram que seus familiares e amigos os reconheciam pelo resultado do teste de personalidade. No entanto, todos os que responderam ao anúncio tinham recebido o mesmo documento e era o perfil do famoso assassino em série francês Marcel Petiot. Como resultado deste facto, Gauquelin comentou que “todos tendemos a ver, no horóscopo, um espelho".
Concluindo, eu defendo a verdade e o ponto de vista científico, uma pseudociência não passa de uma pseudociência. A Astrologia é só mais um método coberto de mentiras, criado unicamente para ganhar dinheiro fácil em cima da inocência humana e da fragilidade das pessoas. Acreditar em astrologia é a prova de que a nossa sociedade tende em acreditar em tudo sem verificar.
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