Desmistificar o Natal
- Padre Carlos Jacob
- 7 de dez. de 2021
- 2 min de leitura
Não causa escândalo para ninguém que a data do nascimento de Jesus seja desconhecida. Os primeiros tempos da Igreja foram vividos “sem” Natal. Importante era a celebração da Páscoa, como festa da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. A data de 25 de Dezembro teve, inclusive, várias alterações. Tudo leva a crer que foi o imperador Aureliano, no ano 274, que “cristianizou” a festa ao culto ao sol invicto, no Natal fixando a data de 25 de Dezembro para sua celebração.
As representações ao vivo, em Gréccio, no ano 1223, do presépio, na noite de 24 para 25 de Dezembro, feitas por S. Francisco de Assis, deram grande impulso à vivência do Natal. Em Portugal a exibição mais antiga data do séc. XVII, no Convento de Salvador, em Lisboa.
Não é necessário ser curioso para perceber como terá acontecido o nascimento de Jesus, em Belém. O recenseamento em todo o Império Romano, decretado por César Augusto, fez com que esta cidade ficasse superlotada. Os pais de Jesus, José e Maria, tiveram que se socorrer dum curral, nas periferias da cidade. Numa manjedoura, rodeado de animais, nasceu Jesus visitado por anjos, pastores e reis magos.
A História repete-se. Há dois mil anos, não foi possível encontrar um lugar para Jesus nascer. Nesta quadra parece que também não é possível acolhe-lo. E pelos mesmos motivos: está tudo cheio, ruas, lojas, supermercados, casas, corações…
Natal é muito mais que uma festividade convencional em que os ritos – religiosos ou seculares – nos trazem à memória acontecimentos camuflados num tempo que já passou.
Natal é muito mais do que uma recordação. Todas as lembranças são unicamente o prólogo do que está para vir.
O Natal é, antes de mais, abertura do quotidiano aos valores definitivos que agora pressentimos.
Precisamos da poesia para manter vibrante o nosso sentido do transcendente e resistirmos à sedução de uma cultura utilitarista
Precisamos da coragem dos simples que teimam resistir à propaganda feroz do comércio.
O Natal é assombro. Tempo de sonhar com um existir diferente, ao menos por uns dias, pertence ao cariz idealista que todos transportamos.
Natal é utopia de ternura, de paz entre os povos, de um mundo de crianças, anjos, reis e pastores.
Natal é sonho coletivo, é acumulação de desejos de antecipação de um mundo melhor.
Natal é emoção e temor ante o inesgotável mistério da encarnação do Verbo.
Natal, tempo esperado da festa, da novidade que Deus faz nascer na história expressa no nascimento de uma criança.
Natal é a festa da eterna juventude de Deus que se faz vida humana.
Natal é o mistério de Deus feito homem, é a festa do amor de Deus aos homens.
Texto: Padre Carlos Jacob
Revisão: Prof.ª Eulália Andrade

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